Como funciona uma VPN: túneis, criptografia e endereços IP

Quando você toca em “Conectar”, o app da VPN combina chaves de criptografia com um servidor em uma fração de segundo e passa todo o seu tráfego por ele. Veja o que acontece de fato e o que define se a conexão vai ser rápida.

Por Maciej Włodarczak · Atualizado em:

Sem VPN

Normalmente o seu dispositivo conversa direto com o site pela rede da sua operadora. O HTTPS protege o conteúdo da página, mas muita coisa fica exposta. O site vê o seu endereço IP, e a operadora e o dono do Wi-Fi conseguem ver a quais domínios você se conecta, quando e por quanto tempo.

O que muda quando você se conecta

O app se conecta ao servidor escolhido, e os dois lados combinam chaves de criptografia exclusivas daquela sessão. A partir daí, tudo o que o seu dispositivo envia é criptografado e embrulhado dentro da conexão com o servidor VPN. A operadora vê um único fluxo de dados que não consegue ler.

O servidor desembrulha o tráfego e o envia para a internet com o próprio endereço IP. O site responde ao servidor, que devolve os dados a você pelo túnel. Do ponto de vista do site, ele está conversando com uma máquina no país do servidor.

Criptografia

As VPNs modernas usam algoritmos bem testados, em geral AES-256 ou ChaCha20. Sem a chave, os dados interceptados não servem para nada. Como as chaves mudam a cada sessão, nem mesmo uma chave comprometida abriria conexões anteriores.

Protocolos

O protocolo é a forma como o túnel é construído. Hoje o WireGuard domina: é leve, rápido e pequeno o bastante para ser auditado a fundo. A NordVPN usa uma versão própria, chamada NordLynx. O OpenVPN, mais antigo, é mais lento, mas muito flexível e útil em redes que bloqueiam outros protocolos. O IKEv2 lida bem com a troca entre Wi-Fi e dados móveis, por isso aparece muito em celulares. Alguns provedores têm protocolo próprio, como o Lightway da ExpressVPN ou o Chameleon da VyprVPN.

Na prática, você raramente precisa mexer nisso, porque o app já vem com uma escolha padrão sensata.

De onde vem o endereço IP estrangeiro

Todo servidor VPN tem endereços IP registrados no país onde opera. Conecte-se a um servidor na Alemanha, receba um endereço alemão, e os sites vão tratar você como se estivesse na Alemanha. Por isso importa saber onde o provedor tem servidores de verdade. Dá para conferir no mapa de VPN.

Localizações virtuais

Alguns provedores também vendem localizações virtuais. O endereço IP é registrado no país que você escolhe, mas o servidor fica em outro, geralmente um vizinho com infraestrutura melhor. Os sites não percebem a diferença, mas você pode notar uma latência extra. Isso é mais comum do que parece: em 65 dos 179 países do nosso mapa, nenhum provedor tem servidor físico. A lista de países e as páginas de cada país mostram o que cada provedor oferece.

Recursos que vale conhecer

O kill switch corta a internet no instante em que a VPN cai, para que o seu IP real não vaze nem por um segundo. A proteção contra vazamento de DNS faz com que as consultas de endereços dos sites também passem pelo túnel. O split tunneling permite escolher apps que ficam fora da VPN, como uma impressora na rede de casa. O multi-hop, às vezes chamado de Double VPN, passa o tráfego por dois servidores em países diferentes.

A VPN deixa a conexão mais lenta?

Um pouco. A criptografia leva um instante, e os dados precisam ir até o servidor e voltar. Com WireGuard e um servidor próximo, a diferença costuma ser difícil de notar. Ao se conectar ao outro lado do mundo, a latência sobe bastante. No uso diário, escolha um servidor próximo e deixe as localizações distantes para quando você realmente precisar de um IP de lá.